Retrospectiva do Circuito 2025
- circuitojazzwebsit
- 31 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
Quer entender o que é o Circuito Jazz Paranaguá? Vem com a gente...

O Circuito Jazz Paranaguá nasceu como uma manifestação cultural comunitária com a intenção de trazer informação e educação através da música, de estudos sociais e da expressão artística múltipla. Desta forma, como um organismo independente o Circuito foi se formando através de eventos ligados ao jazz e consequentemente se tornando um pesquisador do campo humano e cultural, aprofundando seus estudos na intenção de compreender seu território como um todo. Após três edições do Festival voltadas para o segmento jazz, o projeto se tornou parte do calendário Municipal no ano de 2024 como uma Virada Cultural no qual seu entendimento de cultura se torna múltiplo e contempla assim, a rica cultura regional do Município de Paranaguá.
Inspirado no nascimento do jazz de New Orleans em Lusiana nos Estados Unidos, cidade portuária conhecida como um caldeirão cultural devido a sua miscigenação aparente, o ritmo é visto por suas raízes e história, a coexistência de várias etnias e culturas como também a criação de novos caminhos a partir dessa união de valores. Com os pés no presente e o olhar voltado para o futuro, o Circuito Jazz Paranguá foi traçando seus estudos práticos e entendendo seu território de forma analítica e sutil, incluindo e preservando a história cultural de seu espaço, também combatendo usos e costumes que já não cabem mais em um tempo que pede transformação ética e geracional.

A música conduz e conta histórias, atualiza e transforma entendimentos e em 2025 ela nos guiou como a grande Maestra que é e nos levou a conhecer mais ainda sobre a construção de nossa cidade desde seu início. Compreendemos que para um levante de informações aprofundadas era necessário fazer o caminho desde sua fundação, sua origem.
O nome Paranaguá tem origem no tupi-guarani, significando "grande mar redondo", "enseada do mar" ou "baía", derivado de termos como paranã (mar/grande rio) e kûá (enseada/baía), descrevendo a geografia local da baía onde a cidade está situada. Portando há uma linha do tempo que nos conta sobre uma cidade fundada em 1648, sendo a cidade mais antiga do Estado do Paraná, o berço da civilização paranaense. Bem antes de sua colonização existiu o Homem do Sambaqui, um povo pré-histórico de pescadores, coletores e caçadores que habitou o litoral brasileiro por milhares de anos (de 8.000 a.C. a 1.000 d.C.), construindo grandes montes de conchas, ossos e restos de alimentos (os sambaquis) para moradia e rituais, deixando um rico patrimônio arqueológico com seus esqueletos, artefatos de pedra e adornos. Mais tarde, foi a vez do povo Carijó,[7] do grupo Tupi-Guarani. Com o tempo e o processo de povoamento das ilhas, desembocaduras de rios, recôncavos miscigenaram-se com brancos e negros africanos,[8] resultando em outro elemento étnico, o caiçara.

Estudando nosso território, acompanhando tendências, analisando contextos, nos deparamos com a enorme diversidade que somos e abrigamos e que portando não há como falar em uma "Virada Cultural" sem contemplar aspectos históricos, econômicos e culturais. Paranaguá detém o sexto maior PIB do Paraná e ainda assim enfrenta diversos desafios, principalmente relacionados a difusão de cultura regional, mesmo sendo o berço da civilização paranaense.
O ano de 2025 teve muitos avanços, mas também muitos desafios para a Cultura. Em uma cidade pequena acostumada a receber grandes eventos realizados por produtoras de fora, a produção local se destacou em reafirmar sua existência e luta através dos tempos.
Nosso ano teve início com o "Sarau Afro Parnanguara" realizado no dia 13 de maio de 2025 na Estação Ferroviária de Paranaguá, como um cerimonial de abertura do Circuito Jazz Paranaguá, marcando o início da união de diferentes organizações e coletivos como Alissá Produções, Centro Cultural Humaitá, Batalha do Circuito, entre outros convidados como Mariana Zanette da Associação Mandicuera da Ilha dos Valadares, Mestre Walter da Razão Nagô Capoeira de Angola e o produtor do Hey Yo Raps, Wag. O dia 13 de maio foi escolhido como símbolo de uma história que permeia a fundação de nossas estruturas e o momento de abolição da escravatura no Brasil.

O evento contou com um Sarau voltado para a rede pública de ensino, uma batalha de rima conduzida pela Batalha do Circuito e duas apresentações musicais com a Big Belas Band de Curitiba e a cantora de jazz Priscila Nogueira do Rio de Janeiro.



O evento foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc e ainda teve um evento descentralizado com o intuito de abranger a periferia da cidade e desta forma realizado no Espaço Ágatha no Aero Parque no dia 05 de julho. O evento abrigou a seletiva regional de batalhas de rima realizada em conjunto pela Batalha do Galo e Batalha do Circuito, levando o finalista a capital para disputar a estadual, além disso teve o apoio do Núcleo Periférico de Curitiba e divulgação ampla.


A Capoeira também se fez presente com a roda do Mestre Walter e do Mestre Juarez, fazendo uma apresentação e manifestando a cultura afro, assim como a Batalha de Dança do Galo que animou o sábado a tarde no Aero Parque. Ainda tivemos a dupla Flow Sista e Guga Lagos comandando a pista no sound system, uma tarde para ser lembrada com carinho.
Já em novembro durante o mês da Consciência Negra, tivemos a oportunidade de realizar o "Baile Charme da Consciência" que aconteceu graças aos esforços da comunidade junto a 16ª Festa do Fandango de Paranaguá realizada pela Associação Mandicuera que vem há anos desenvolvendo o trabalho em comunidade no Município, mais precisamente na Ilha dos Valadares.
Este ano a festa do Fandango de Paranaguá aconteceu no mês de novembro e integrou então o dia da consciência negra a programação da festa, abrilhantando ainda mais as festividades, como também fazendo um reconhecimento histórico e importante para a cena cultural de Paranaguá. Agradecemos aos esforços e a união plantada em solo caiçara.
(Mestre Aorelio Domingues da Associação Mandicuera de Paranaguá)
Já no mês de dezembro nosso calendário deu espaço a Cultura Guarani junto a Aldeia Tekoa Takuaty na Ilha da Cotinga em Paranguá e realizou duas exposições no MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR). A primeira deu lugar a exposição "Caminhos, Plumas e Miçangas" da Cacique Juliana Kerexu.

A segunda exposição ficou por conta do jovem artista indígena Ricardo Wera com a sua primeira exposição "Território Ancestral".

As exposições ainda contaram com a apresentação do Coral Tekoa Tekoaty, emocionando o cerimonial e honrando a história das exposições.
E desta forma finalizamos um ano intenso de estudos, compreendendo que a Música e a Cultura traçam rotas históricas na construção de territórios fortes e resistentes a mudança dos ventos. Nos tornamos ainda mais receptíveis a compreender nosso espaço e torná-lo ainda mais fértil, respeitando cada ritmo, cada etnia, cada enredo construído através do tempo, cada opinião. O ano de 2025 nos tornou mais humanos e entendidos sobre o que é vulnerabilidade e sobre quão fortes nos tornamos unidos.
A Virada Cultural já acontece em nós, primeiramente como uma consciência viva que permeia nossos trabalhos na força para existir e executar nossos projetos, mas o que torna essa virada ainda mais palpável é a organização de um organismo que se mostra cada dia mais forte em suas ações e convicções de transformação através da arte. Verdadeiros fatos milagrosos aconteceram esse ano, quando tudo parecia incerto e nublado, a força de nossa natureza nos pôs de pé a traçar caminhos novos e mais atentos as possibilidades.
Aqueles que compreendem na pele e no espírito a necessidade de transformação, criaram espaços seguros e amorosos de convivência, sem excluir ou passar por cima. Entendemos que há espaço para todos e que cada participação é valiosa e muito importante na construção de um mundo melhor, mais inclusivo e seguro, menos agressivo para mulheres, mais acolhedor para neuro divergentes. Terminamos nosso ano assim como começamos, sonhando um mundo melhor e agindo para que ele seja possível para nossas crianças e para a natureza.
"O esgotamento dos recursos naturais provavelmente está muito menos avançado do que o esgotamento dos recursos subjetivos, dos recursos vitais que atinge nossos contemporâneos. Se nos satisfazemos tanto em detalhar a devastação do ambiente, é também para cobrir a assustadora ruina das subjetividades. Cada maré poluída, cada planície estéril, cada extinção de espécie é uma imagem das almas em farrapos, um reflexo de nossa ausência de mundo, de nossa impotência íntima de habitá-lo." | (Comitê Invisível) "Esferas da Insurreição" - Suely Rolnik.
Agradecemos profundamente cada produtor parnanguara e apoiador, inclusive os que aqui não foram citados, seu trabalho é de suma importância na construção do nosso mundo cultural e abrangente. Agradecemos também a audiência de nossos eventos que se manteve aberta a entender nossos estudos e o quanto foram necessários para a volta de nossas atividades como festival, de forma ainda mais potente e embasada. A partir de nossos estudos, que continuam em 2026, foi pensado um calendário anual de atividades culturais para Paranaguá, trazendo muitas novidades e salva guardando nossa história e consquistas. Fica ligado na nossa rádio blog que 2026 tem muito para revelar.
Um feliz ano novo a todos, repleto de amor e esperança <3.
Paranaguá, 31 de Dezembro de 2025
Atenciosamente,
VIRADA CULTURAL - CIRCUITO JAZZ PARANAGUÁ.





























































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